O jogador e o corporativismo


Estava ouvindo um programa de rádio local, onde duas pessoas bem conhecidas da cidade onde moro falavam da rodada do fim de semana no futebol. Me chamou a atenção a colocação do comentarista, que justificou a reação do Palmeiras e do Botafogo como “a prova que jogador é corporativista”.

Disse isso no tom de que, se o grupo quer, pode derrubar um treinador apenas com más exibições e desobediência tática. A cultura brasileira não defende o comandante e, como todos sabem, a corda arrebenta para o lado mais fraco.

É o curioso ver, logo depois do jogo sem o técnico demitido, o empenho, o bom futebol e as vitórias chegando com um novo chefe. Times se transformam da água para o vinho, ainda que mantendo a escalação e o esquema tático.

Muito se fala sobre o tal papo do sangue novo, do “não tem mais clima”, mas essa intenção/vontade dos atletas de jogarem o que sabem e o querem é fundamental para a mudança de uma fase.

Muricy Ramalho saiu do Palmeiras na semana passada. Contra um dos melhores técnicos do país, afirmações de que líderes do grupo não gostavam de seus esquemas e treinos. A favor, o péssimo trabalho da diretoria, que montou um grupo fraco, sem peças de reposição.

Veio Antonio Carlos Zago, aquele mesmo ex-zagueiro, dirigente que montou o Corinthians da Série B, da boate com Ronaldo. No currículo, apenas o trabalho no São Caetano. Curiosamente foi o culpado por derrubar Muricy numa goleada.

No clássico de domingo contra o São Paulo, estréia tensa. Afinal, o time estava em crise, a torcida protestando forte e pedindo a volta do seu ex-treinador. Em campo, a resposta veio num 2 a 0 surpreendente, com o Palmeiras atuando bem.

Dando um pulo no Rio, vimos o Botafogo, a menor das apostas, conquistar a Taça Guanabara (parabéns Zobaran!). A reação e as vitórias só vieram com a chegada do folclórico e sempre eficiente Joel Santana ao comando alvinegro.

Vale lembrar que Estevam Soares, o falecido, caiu após uma paulada de 6×0 para o Vasco, mesmo adversário batido por dois na final da TG este fim de semana. O estilo de jogo e o empenho foram outros em campo.

O Natalino trouxe outro ânimo aos botafoguenses. A escalação ainda parece ser a mesma, mas a vontade de jogar parece ter sido alterada como uma eficiente substituição.

Não sou especialista em Bota pra dizer se Estevam era visto de forma negativa pelo grupo, só sei que as questões táticas parecem ter influenciado. Li por aí que Joel soube interpretar a carência do grupo e montou um esquema em cima da situação.

No passado tivemos várias histórias de jogadores/grupos fritando técnicos em seus clubes. É fato que atleta defende seus interesses e, se precisar, faz até o torcedor sofrer e ter reações impensadas para tal.

Não será hoje nem amanhã que pararemos de ver tal situação, seja aqui ou lá fora (né, Luxa?)

  • Print
  • Digg
  • del.icio.us
  • Facebook
  • Google Bookmarks
  • email
  • MySpace
  • Netvibes
  • StumbleUpon
  • Technorati
  • Twitter
  • Yahoo! Bookmarks
  • Blogosphere News
  • Live
  • NewsVine
  • Reddit
  • Tumblr
(No Ratings Yet)

Comments (3)

 

  1. Zobaran disse:

    Valeu! Olha…ainda tá em tempo de mudar de time, hein! rsrs

    A verdade é que esse time do Botafogo é muito ruim e o Estevam Soares não ajudava. Não sei se os jogadores entregaram, mas o que fica claro é que o Joel dominou a situação. O time continua tecnicamente ridículo, mas acredita mais na possibilidade de sucesso. E, por enquanto, conseguiu o que queria, uma vaga na final que pode render um título.

    Agora é esperar para ver se o Joel consegue segurar o fraco grupo até lá.

  2. Wellison disse:

    Nem sei se o do Botafogo foi o tal coorporativismo. O time vinha ganhando, tanto que só perdeu pontos pro Vasco no Carioca, só que jogou mal o clássico e se lascou. Joel Santana é famoso por seu poder de motivar jogadores e era a única coisa que podia fazer mesmo, já que o Botafogo sempre foi um time de pouco dinheiro. Ele soube explorar o ponto forte do loco Abreu e fechar o time pra não se expor muito, diferente do Estavam no primeiro turno que foi tentar brigar de igual pra igual com o Vasco. Já o Palmeiras, os jogadores não vinham muito empenhados fazia uns jogos, e o Muricy pagou o pato. Tanto que o Antonio Carlos não precisou fazer nada pro time jogar bem melhor contra o SP.

  3. Ique Muniz disse:

    @Zobaran

    Falou tudo. Se o Joel segurar, dá pra levar o Botafogo mais longe. Até torço por isso viu! :)

    @Wellison

    é mais ou menos isso que quis dizer no texto mesmo. No caso do Botafogo, não foi só a tal mudança ‘corporativista’, mas no Palmeiras tá meio na cara que rolou algo viu!

Categorias

Fala aí!

Depois do episódio Ferrari, você parou de ver F1?

Loading ... Loading ...

ZoomTube: Federer Tweener